O incômodo
Na faculdade, estudando orientação a objeto, eu olhava o banco de dados e não aceitava:
Se dá para guardar o objeto na memória, por que não dá para guardá-lo no disco do jeito que ele é, em vez de transformá-lo em tabelas?
Perguntei ao meu professor de banco de dados avançado, o Gilberto. A resposta, por volta de 2012, foi honesta: existiam estudos de bancos orientados a documentos, mas ainda nada concreto no mercado. Aquilo ficou na minha cabeça por seis anos.
O menino do Bloco de Notas
Programo desde 2007, quando escrevi o primeiro site da empresa do meu pai no Bloco de Notas, e profissionalmente desde 2009. Meu primeiro grande projeto foi um ERP inteiro, em Delphi e Firebird, para a fábrica da família: entrevistando cada setor, entendendo o dia a dia de cada pessoa e inventando, da cabeça, telas, rotinas e banco de dados. Foi ali que aprendi o que virou a minha especialidade: modelar dados a partir do negócio. Depois vieram bancos, fábricas de software e a Mastertech, em Curitiba, onde um relatório de previsão de metas que levava cerca de quatro horas passou a rodar em trinta segundos, só por repensar a consulta.
O prazo de 30 dias
Em 2018 abri a LeadSoft e, meses depois, fui contratado para auditar um sistema que o cliente queria no ar em 30 dias. A restrição era inegociável: RavenDB, um banco do qual eu nunca tinha ouvido falar. Eu era craque em SQL Server, e um banco sem tabelas me assustou por uns minutos. Depois vi o quanto era fácil. Pedi 45 dias. Na primeira semana refiz a estrutura inteira em documentos, e entreguei em 45. O fim da novela das migrations e dos joins infinitos. Daquele dia em diante, projetei software com RavenDB sempre que a escolha foi minha; só usei outros bancos quando o cliente tinha uma restrição clara de infraestrutura.
Sete anos de LeadSoft
Fundei e liderei a LeadSoft por sete anos. Foram clientes como Castrol Brasil, Inforlube e Ebbi, uma equipe, dois escritórios, erros e acertos e muito aprendizado sobre pessoas, processo e o custo real de software mal planejado. Em 2024 reestruturei o time e a empresa; em 2025 encerrei suas atividades. Levei dali o que mais importa para quem avalia uma tecnologia: já estive do outro lado do balcão, assinando contrato, cumprindo prazo e sustentando o que eu mesmo arquitetava.
A ligação
Em janeiro de 2024 recebi uma ligação internacional. Era o RavenDB, curioso para saber por que um desconhecido do Brasil tinha cadastro e usava o banco. Contei a história acima. Semanas depois eu estava em San Francisco, na Developer Week, conhecendo Oren Eini e David Baruc, num evento em um rooftop, antes da feira. Na volta para o hotel, no Uber, a ficha caiu:
Minha nossa, o RavenDB é o banco que perguntei para o Gilberto, que uso há tantos anos, e agora cá estou...

A LeadSoft se tornou parceira oficial do RavenDB no Brasil, e eu assumi a missão de apresentar o banco por aqui: TDC São Paulo, vídeos, artigos, bibliotecas abertas.
O efeito borboleta
Essa história virou palestra. Em 7 de outubro de 2024, na Semana do Empreendedor da FAE, contei tudo isso aos estudantes em O efeito borboleta no empreender: uma pergunta feita a um professor, um banco que eu só conheceria anos depois e o que aconteceu a partir daí.
O objetivo era inspirar os estudantes a prestarem atenção nas sutilezas do que acontece na faculdade e em como isso pode ter resultados inesperados no futuro.


A conversa que mudou tudo
Em maio de 2025, a RavenDB me chamou para uma conversa sobre a minha experiência como parceiro. Contei os casos e o que resolvi para os clientes. No fim, o David Baruc disse:
Um dia te trago para trabalhar com a gente.
David Baruc
Eu recusei com um sorriso: a LeadSoft ainda estava de pé e eu acreditava nela. Um mês depois, a empresa não se sustentou e decidi encerrá-la. Mandei uma mensagem ao David, como quem não quer nada. A resposta foi honesta: não havia vaga. Semanas depois, com a saída do então Head de DevRel, ele me chamou. O "teste" foram entrevistas gravadas, que viraram vídeos no meu canal, e duas demonstrações abertas no GitHub (ravendb-demo e ravendb-sales-assistant-demo). Entrei no time em agosto de 2025. Veja as entrevistas: parte 1, parte 2, parte 3 e 5 motivos para usar o RavenDB.
Hoje
Sou Sales Engineer e Arquiteto de Soluções na RavenDB. Meu trabalho: avaliar o seu caso com você, provar em código se o banco resolve (e, quando não resolve, eu digo) e, quando faz sentido, conectar você ao time comercial. Em português ou em inglês, no seu fuso, em qualquer continente, com linha direta com a engenharia.
No que eu acredito
- 01Quase toda conta cara de tecnologia é conta de complexidade. Simplificar exige coragem e costuma ser a decisão mais rentável.
- 02Software é investimento, não despesa: ou agiliza um processo ou economiza recursos.
- 03A curva de manutenção não pode ser maior do que a de novas funcionalidades.
- 04A IA a favor de quem entende o problema: quem sabe o que a máquina está fazendo vai mais longe do que quem só pede a ela.
- 05Integridade antes de CNPJ: uma empresa é só um CNPJ; o que dura são as relações.
Fora do código
Escalo e faço trilhas (já subi o Vulcão Láscar, no Chile), ouço rock e metal, e tenho uma Belina 1984 que virou beer truck: a Choppellina. Também escrevo ficção científica: Lambda X será o meu primeiro livro.
